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MALEDICÊNCIA " NÃO FALES MAL DE NINGUÉM
- Por Huberto Rohden "
Toda
pessoa não suficientemente realizada em si mesma tem a instintiva
tendência de falar mal dos outros.
Qual a razão última dessa mania de
maledicência?
É um complexo de inferioridade unido a
um desejo de superioridade.
Diminuir o valor dos outros dá-nos a
grata ilusão de aumentar o nosso valor próprio.
A imensa maioria dos homens não está em
condições de medir o seu valor por si mesma. Necessita medir o seu próprio valor
pelo desvalor dos outros.
Esses homens julgam necessário apagar as
luzes alheias a fim de fazerem
brilhar mais intensamente a sua própria
luz.
São como vaga-lumes que não podem luzir
senão por entre as trevas da noite, porque a luz das suas lanternas fosfóreas é
muito fraca.
Quem tem bastante luz própria não
necessita apagar ou diminuir as luzes dos outros para poder brilhar.
Quem tem valor real em si mesmo não
necessita medir o seu valor pelo
desvalor dos outros.
Quem tem vigorosa saúde espiritual não
necessita chamar de doentes os outros para gozar a consciência da saúde própria.
As nossas reuniões sociais, os nossos
bate-papos são, em geral, academias de maledicência.
Falar mal das misérias alheias é um
prazer tão sutil e sedutor " algo
parecido com whisky, gin ou cocaína "
que uma pessoa de saúde moral precária facilmente sucumbe a essa epidemia.
A palavra é instrumento valioso para o
intercâmbio entre os homens. Ela,
porém, nem sempre tem sido utilizada
devidamente.
Poucos são os homens que se valem desse
precioso recurso para construir
esperanças, eliminar dores e traçar
rotas seguras.
Fala-se muito por falar, para "matar
tempo". A palavra, não poucas vezes, converte-se em estilete da impiedade, em
lâmina da maledicência e em bisturi da revolta.
Semelhantes a gotas de luz, as boas
palavras dirigem conflitos e resolvem
dificuldades.
Portanto, cabe às pessoas lúcidas e de
bom senso, não dar ensejo para que o veneno da maledicência se alastre,
infelicitando e destruindo vidas.
Desculpemos a fragilidade alheia,
lembrando-nos das nossas próprias
fraquezas.
Evitemos a censura.
Enriqueçamos o coração de amor e
banhemos a mente com as luzes da
misericórdia divina.
Porque, de acordo com o Evangelho de
Lucas, 6,
45*
,"a boca fala do que está cheio o coração" .
*Bonus homo de
bono thesauro cordis profert bonum, et malus homo de malo profert malum: ex
abundantia enim cordis os eius loquitur.
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