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ENCANTOS, MAGIA E PODERES
OCULTOS
Os bruxos eram transformadores de consciência " a palavra bruxo significa
sabedoria " e eram eles que durante as cerimônias e rituais (sabás) trabalhavam
com a intenção, facilitando o contato entre dois mundos, consciente e
inconsciente, pois tinham o conhecimento das leis ocultas.
Na mitologia grega, Hades (Plutão) é o deus dos poderes ocultos, cujo domínio é
o submundo; ele é o senhor das trevas, soberano dos mortos. Saía pouco de seu
reino e quando o fazia, usava um elmo que o tornava invisível.
As almas, para ingressar em seu mundo, tinham que atravessar o Rio Estige,
conduzidas por Caronte, o barqueiro, e uma vez que lá entrassem ninguém mais
poderia tirá-las; a entrada era vigiada pelo terrível cão de três cabeças
Cérbero. Apesar de seu reino obscuro, era um deus poderoso, conhecido por muitos
nomes, como Plutão, o rico, ou Êubulo, o bom conselheiro.
Plutão, astrologicamente, rege Escorpião, e ambos expressam o arquétipo do
mistério, da cura psíquica e dos trabalhos xamânicos. A prática da sexualidade
sagrada, como o tantra yoga, e o despertar da kundalini (serpente ígnea que está
adormecida no final da coluna) são pertinentes à esse reino, o das emoções
intensas.
Ninguém tinha permissão para entrar no reino plutoniano, exceto Hermes
Psicopompo (guia de almas " Mercúrio),emissário de Hades. Com seu caduceu
dourado adornado com duas cobras, convocava os moribundos para o reino dos
mortos.
Hermes era poderoso com o encantamento da palavra, e certa vez salvou Teseu, que
entrou no reino de Hades sem permissão e também guiou Orfeu, que saiu à procura
de sua esposa Eurídice no reino da escuridão. Hermes socorreu o filho do rei de
Lídia quando ele foi esquartejado, juntando todas as partes do corpo e
devolvendo-lhe a vida. Mensageiro dos deuses, trafegava entre os mundos divino (Olimpo),
humano (era popular entre os mortais) e dos mortos (mundo avernal).
Seu equivalente egípcio é Thot, autor de muitos textos de magia, astronomia e
astrologia. Era o mestre da palavra divina (o poder dos mantras, orações), em
pronunciar as palavras apropriadamente. Foi ele quem escreveu o Livro dos
Mortos, que trata da cura pelo feitiço, pela magia, apontando técnicas e a arte
de curar que ele ensinou à sua discípula Ísis. Era o mestre da lei e escriba dos
deuses.
As frases encantadas, entoadas, vibravam pelo chacra da garganta (criatividade),
o laríngeo. Seus encantamentos tinham a ajuda de sapos, besouros, e, além de
passar seus conhecimentos à Ísis, lhe salvou duas vezes. Em uma delas, seu filho
Hórus foi picado por um escorpião e perdia a vida. Ísis suplicou ao deus Sol Rá:
ele parou sua carruagem e Thot desceu e ensinou-a a pronunciar as palavras de
cura, e o ferimento se abriu, o veneno escorreu e Hórus reanimou.
Ísis passou seus conhecimentos mágicos às sacerdotisas do templo para que
nenhuma outra criança morresse envenenada por escorpião. Ela era conhecida por
muitos nomes: a Maga (Sábia), a Encantadora, A-de-Palavras-Poderosas. Havia a
prática de uma cerimônia astrológica em que "o iniciado era conduzido através de
doze câmaras do Templo (Casa de Ísis), e em cada uma delas um novo manto com a
imagem de um animal era colocado sobre seus ombros. Ele orava e jejuava, e
emergia da última câmara que dava diretamente sobre o Nilo; dali ele via passar
o barco de Ísis e sentia a paz de Osíris. O iniciado então passava a ser
conhecido como Conquistador dos Sete Planetas, o que provavelmente significava a
conquista de seu mapa natal, mestre de sua própria personalidade".
O deus Sol (Apolo), senhor da profecia, era quem desfazia as magias e maldições
familiares. Era o único que tinha poder para desfazer o jugo da Erínias (as
Fúrias), "que eram deusas cinzentas, que perseguiam todos os que haviam
desprezado o parentesco consangüíneo e a deferência devida à ele", segundo a
definição de Kerényi.
O santuário de Apolo chamava-se Delfos, que foi estabelecido após a luta contra
a serpente Píton. O oráculo era presidido por uma sacerdotisa, a Pitonisa. Apolo
dissipava a culpa e a escuridão daqueles que se manchavam com crimes de sangue,
livrando-os do remorso. Era o deus da morte súbita e era curandeiro, educador de
Quíron, o centauro; passou-lhe os ensinamentos da medicina e da cura.
Quíron significa mão, daí a palavra quiromancia. Ele fundou o Chironium, um
templo de curas no Monte Pélion, e casou-se com uma deusa da água, com quem teve
uma filha, Téia, que significa ser brilhante da Lua. E ela foi uma brilhante
vidente.
A mitologia nos ajuda a reconhecer através dos arquétipos a ligação com nosso
mundo inconsciente e o inconsciente coletivo (definido por Jung), que os bruxos
acessam tão bem.
As tribos se reuniam em luas específicas, quando dançavam, oravam e alteravam
sua consciência. Os pagés, os xamãs, o rezador, o mentor espiritual era também
feiticeiro, pois usava ervas, aromas, pedras, água, fogo, incensos e palavras
estranhas com o poder de curar e desfazer pragas.
A prática ritualística é uma manifestação do sétimo raio, raio da Ordem
Cerimonial e da Magia. As pessoas que são polarizadas com o sétimo raio são as
que ancoram e fazem a ponte. São os mensageiros, como Hermes, os médiuns, os
mestres de cerimônia, o xamã.
Urano é um planeta de sétimo raio, e a era aquariana, regida por ele, vai contar
com rituais em grupo: a convocação dos transformadores de consciência. Nossa
civilização vive resquícios cármicos da época Atlântida (Quarta Raça), o
continente submerso pelo confronto no plano astral de forças involutivas, pelo
uso da magia negra, dos dons psíquicos para fins egoístas e a degeneração do
poder sexual.
O conhecimento oculto implica maturidade, para que não interfiramos
inadequadamente no acontecimento das coisas. Até Esculápio, o deus da medicina,
recebeu a punição da morte, de um raio lançado por Zeus, por ter cometido ibris,
o abuso de poder, pois com seu caduceu estava ressuscitando os mortos e isto
despertou a ira de Hades: a ordem natural das coisas estava sendo perturbada, já
que os motivos de Esculápio nem sempre eram tão justos.
O desafio do sétimo raio para nossa civilização é o de rompermos com práticas e
dogmas que já não cumprem seus propósitos, pois foram esvaziados de sua força e
atraem agora energias duvidosas. É preciso reconhecer a magia do Universo com
seus rituais específicos, como a aurora e ocaso, e resgatarmos o nosso poder
mágico, que está em compreender os sinais, a linguagem subliminar da vida e de
nosso eu interno. E só pelo fato de estarmos vivos, cada um vibrando numa
freqüência específica de luz , som e cor, já se realiza a magia, e se ela é
orientada, intencionada, mais poderosa, pois estamos ligados em rede, e pela lei
da afinidade, estamos em conexão com aquilo que vibramos. Por isso os rituais
são realizados em grupo (Urano). Um povo se fortalece por suas práticas
religiosas ritualísticas, se unificando.
A idéia que primeiro vem à mente quando se fala em magia é a de manipulação,
quando na verdade é o mago, o colaborador consciente, o facilitador, o canal
para a compreensão e manifestação do Plano Cósmico.
Que prevaleçam
os magos da
paz!!!
Bibliografia:
Arquétipos do Zodíaco, Kathleen Burt, Pensamento.
O Tarô Mitológico, Liz Greene, Siciliano.
Os Deuses Gregos, Karl Kerényi, Cultrix.