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CAVALEIROS DA TÁVOLA REDONDA
Mudanças na Lenda
Dois famosos escritores do século XII mudaram o tratamento celta dado à história
de Arthur. Essa mudança ocorreu de uma maneira muito súbita. No trabalho destes
escritores, Arthur será a figura de menor importância, já que os principais
personagens seriam os cavaleiros de sua corte. Nos duzentos anos a seguir, a
figura de Arthur seria usada apenas como ponto de referência. Estes escritores
foram Maria da França, com uma recontagem da história de Tristão e Isolda, e
Chrétien de Troyes, que com o amour courtois centrou a história em Lancelot e
Guinevere.
Os cavaleiros e suas Lendas
Dentre os inúmeros cavaleiros de Arthur, ou relacionados a ele, os que tiveram
maior destaque são os relacionados abaixo:
Gareth e Lineth
A hitória de Gareth é mostrada no livro de Malory, The Book of Gareth, do qual
nenhum original foi encontrado, apesar de se supor que haja uma fonte francesa
perdida. O herói Gareth é um jovem de físico e força excepcionais. Ele vem à
corte de Arthur, onde não é reconhecido nem por seu tio Arthur, nem por Gawain,
seu irmão. Por alguma razão perversa começa trabalhar na cozinha de Arthur, onde
Sir Kay, o dispenseiro, o trata mal e por causa de suas mãos grandes dá-lhe o
apelido de Beaumains (Belas Mãos em francês). Todos riem dele, exceto Lancelot,
que é gentil com ele desde o início.
O rapaz interessa-se apaixonadamente pela cavalaria e, embora executando seus
deveres de lavador de pratos, faz questão de assistir a todas as exibições de
habilidade dos cavaleiros. Por fim, acaba com a subserviência, veste a armadura
que sua mãe tinha mandado fazer para ele já há algum tempo e desafia Lancelot.
Este fica impressionado com a sua força e antes de ser derrotado, os dois param.
A gentileza e a clemência do jovem são reprovadas por Lineth, moça arrogante que
desdenha a indicação de Beaumains para salvar a sua irmã aprisionada, a dama de
Lionesse, pois pensa que é um mero criado de cozinha. Seu comportamento é
irracionalmente descortês e ingrato até que suas injúrias e seu escárnio são
refreados pelo contínuo sucesso do rapaz contra os adversários da sua irmã. "Ai
de mim, diz ela, belo Beaumains, perdoa-me tudo que eu disse ou fiz de mal
contra ti. De todo o meu coração, diz ele, eu te perdôo, pois não fizestes nada
de mais, todas as suas palavras malvadas me agradavam... e como estás se
desculpando espontaneamente, eu te quero bem... não há cavaleiro vivo que eu não
seja capaz de combater." No entanto, ele se apaixona, sim, mas é pela irmã dela,
a dama de Lionesse. Leva-a para a corte de Arthur e casam-se. Linet, curada de
sua raiva patológica, está casada com outro cavaleiro.
Modred
Modred era filho de Arthur com sua irmã, Morgana. Em escritos antigos, ele é
muitas vezes identificado como Anwr. Em Malory, Merlin avisa Arthur que ele
seria morto por alguém nascido no dia primeiro de maio, assim, Arthur ordena que
todos os bebês nascidos nesse dia, fecundados por lordes e gerados por damas,
fossem colocados em um navio e levados para o mar. O navio naufraga e todos os
bebês se afogam, menos Modred, que, carregado para praia, foi encontrado por um
homem de bom coração que tomou conta do bebê. Mais tarde, Modred vai para corte
de Arthur onde, juntamente com seu irmão Agravaine, passa a fomentar a
discórdia. Por fim passam a vigiar Lancelot e Guinevere, acabando por pegar
Lancelot nu na cama da rainha. Lancelot consegui fugir, matando um do bando de
Modred. Quando Arthur parte para a França para lutar contra Lancelot, Modred é
deixado como regente. Aproveita a oportunidade para Capturar Guinevere e tentar
se casar com ela a força, tomando a coroa. Arthur retorna à Bretanha e luta
contra o filho, culminando na batalha de Camlann, onde Arthur corre atrás de
Modred e o atravessa com sua lança, em seguida Modred golpeia o pai, segurando a
espada com ambas as mãos, ao lado de sua cabeça. Modred cai morto e Arthur
deita-se abatido no chão.
Balin e Balan
Balin e Balan é um conto mórbido escrito por Malory, onde os gêmeos Balin e
Balan, irmãos de Lancelot por parte de pai, se encontram em uma floresta mas,
estando os dois armados e sem brasões em seus escudos, não se reconhecem e
passam a lutar, acabando por se matarem.
Yvain
Yvain é um conto de Chrétien de Troyes, baseado no conto galês The Lady of the
Fountain (A Dama da Fonte). Yvain sai da corte de Arthur para uma aventura na
floresta de Brocelinde, onde quem quer entrasse em uma certa clareira e
quebrasse com um golpe um bloco de esmeralda ali pendurado criaria uma
tempestade, quando então viria um cavaleiro para desafiá-lo. Yvain mata o
cavaleiro e conquista a sua viúva. Quando estão para se casar, Arthur chega para
saber como a aventura havia transcorrido.
Kay
Kay era o irmão adotivo de Arthur, tornando-se o mordomo real depois que Arthur
se torna rei. Ferido em batalha, Kay era coxo, o que não impedia de ter algumas
aventuras, nem sempre bem sucedidas, como a narrada por Chrétien de Troyes, na
qual Arthur e alguns de seus cavaleiros vão procurar Sir Kay, que empreende uma
aventura. "Quando eles se aproximam da floresta, vêem o cavalo de Kay fugindo...
O cavalo fugindo desesperadamente, as correias do estribo de couro todas
manchadas de sangue e a armação da sela quebrada".
Urre
Sir Urre era casado com Morgana, sendo muito mais velho que esta. Uma passagem
importante envolvendo este personagem é dada quando este está ferido, não
conseguindo sarar. Sir Urre é então levado à corte de Arthur para ver ser alguém
ali podia exercer o poder de cura. A começar por Arthur, um enorme grupo de
cavaleiros tenta sem sucesso. Por fim Lancelot é visto cavalgando à distância.
Quando este se apresenta, Arthur explica o assunto e diz que ele também deveria
fazer uma tentativa. "Jesus me proteja, diz Lancelot, quando tantos reis e
cavaleiros já tentaram e fracassaram, como poderia eu ter a presunção de
realizar o que os senhores não realizaram... Estás vendo de modo errado, disse o
rei Arthur, não deves fazer isso por presunção, mas para demonstrar tua
camaradagem conosco, pois és também um cavaleiro da Távola Redonda." Lancelot, a
contragosto, ajoelhou-se aos pés do cavaleiro ferido "dizendo secretamente para
si mesmo: Tu, Pai Abençoado, Filho e Espírito Santo, eu te imploro teu perdão...
Tu és o único que podes curar este cavaleiro doente por meio de tua grande
virtude... mas, bom senhor, nunca por mérito de minha pessoa." Então pede ao
cavaleiro para deixá-lo ver as feridas; examina-as e, depois de sangrarem um
pouco, elas aparecem curadas, como se estivessem há sete anos cicatrizadas.
Bedivere e Lucan
Sir Lucan e Sir Bedivere foram uns dos poucos cavaleiros de Arthur que
sobreviveram à Batalha de Camlann. Quando caiu a noite no campo de batalha,
Lucan diz que é melhor levar o rei para alguma cidade. "Eu gostaria que fosse
assim, disse o rei, mas não posso ficar de pé, e minha cabeça não pode se
mover." Então eles começam a carregar o rei, mas na tentativa, Sir Lucan cai
morto. Arthur, sozinho com Bedivere, encarrega-o de levar a sua espada,
Excalibur, para além da margem do rio e, assim que voltasse, contasse o que
tinha visto. Bedivere toma a espada e dirige-se para a água, mas no caminho
observa aquela nobre espada e vê que o botão do punho e o cabo eram de pedras
preciosas, e sente que não pode sacrificá-la. Por duas vezes tenta atirá-la, mas
não consegue, e Arthur percebe a desobediência de Bedivere quando ele conta que
viu apenas ondas inquietas e águas tristes. Ordenado de novo a jogar a espada no
rio, Bedivere atende às ordens, lançando a espada o mais longe possível, veio um
braço e por cima da água uma mão alcançou a espada e a pegou. Assim, sacudiu a
espada por três vezes, brandiu-a e então mão e espada desapareceram. Depois de
ter cumprido a tarefa, Bedivere leva o rei nas costas até a beira da água, lá
uma barca aporta com muitas senhoras, dentre uma das quais uma rainha, Morgana,
o rei é colocado na barca e parte para Avalon.
Sir Lancelot do Lago (O Herói Armagurado)
O personagem Lancelot, como membro especial da confraria de Arthur, já era bem
conhecido no século XII, e Loomis constatou que havia vestígios de sua origem no
guerreiro galês Lluch Llauynnauc e na divindade irlandesa Lugh Lamhfada. No
entanto é atribuída ao escritor suíço Ulrich von Zatzikhoven, na última década
do século XII, a origem do nome Lancelot do Lago, retirado da tradução de um
romance anglo-saxão extraviado.
Lancelot era filho do rei Ban de Benoic, distrito da Britânia. Com a morte do
pai, Lancelot foi levado pela Dama do Lago para seu palácio sub-aquático. Quando
Lancelot completa quinze anos, sua mãe adotiva o equipa e manda-o para a corte
de Arthur. Ele luta em favor de Guinevere, mas não há nenhum adultério entre
eles.
Lancelot tem namoros casuais e por fim, casa-se com uma esposa amável e fiel. O
primeiro a escrever sobre Lancelot ser amante de Guinevere foi Chrétien de
Troyes, que dizia que a história estava sendo ditada pela condessa de Champanhe,
que também ditava o estilo.
No início da história, Meleagant, um cavaleiro infiel, prende muitos dos súditos
de Arthur em Goirre, terra rodeada de água. Por fim, Meleagant captura Guinevere.
Lancelot luta por sua rainha e no final, em um combate solitário, consegue a
libertação dela e de todos os outros reféns. A história se parece com a que é
contada por Caradoc de Lancafarn em Life of Saint Gildas, trabalho escrito antes
de 1130, que relata que Guinevere teria sido capturada por Melvas (transfornado
em Melleagant por Chrétien) e levada para a Ilha de Vidro (chrétien leu Goirre
em vez de Voirre). Arthur com um grande exército recrutado em Devon e na
Cornualha sitia Melvas e salva Guinevere.
Na versão de Chrétien, ele trocou Arthur por Lancelot. Arthur é apresentado como
um homem de boa índole, benevolente, mas ineficaz, o que reduz drasticamente o
seu poder. Isto se deve ao fato que a corte de Champanhe, onde Chrétien escreveu
sua história, não estava interessada em atos heróicos contra bárbaros na
Inglaterra, mas sim na vida que estava na moda, na qual o rei Arthur
necessariamente fazia o papel de marido traído. A traição de Lancelot e
Guinevere é permissível, sem arrependimento entre os dois, é somente em
Lancelot, do Ciclo Popular ou Ciclo Bretão, que Guinevere exclama: "Teria sido
melhor para mim se eu nunca tivesse nascido". Foi aí, com Malory, que Lancelot
foi chamado de o primeiro herói do romance moderno.
Lancelot é um homem de grandes virtudes pessoais e profissionais, sem forças
para resistir a uma paixão que por um longo tempo acredita ser mais ou menos
incorreta e que, por fim, aceita ser complemente errada. Ele tem inimigos:
alguns têm ciúmes, outros ficam indignado com a sua ligação com a rainha e é
isso que acabará levando à guerra civil. Mas muitos o amam, não somente
Guinevere o ama, mas Arthur o ama também; não somente a donzela de Astolat, mas
o irmão dela, Lavaine; os cavaleiros devotados a ele sentem uma admiração e uma
forte afeição pessoal. Apesar de não poder ver o Graal por causa do adultério,
Lancelot apresenta grande caráter moral tanto no episódio com Sir Urre quanto no
da Donzela de Astolat. Lancelot vai competir em um torneio disfarçado, assim,
para desviar as suspeitas, aceita uma prenda de Elaine. Vitorioso, mas ferido, é
levado por Lavaine para um eremitério para ser curado. Gawain, sabendo da
verdadeira identidade do cavaleiro, o revela para Elaine, que cuidava dia e
noite dele. Bors vai ao encontro de Lancelot, ansioso e constrangido por tê-lo
ferido, e pergunta: "Mas é Elaine que está interessada em você?". "É ela. Não
posso afastá-la de mim" - diz Lancelot. "E por que deveria afastá-la? É uma bela
donzela, de boa aparência e bem instruída, e vejo, pelos cuidados dela para com
você, que ela o ama muito". A resposta de Lancelot é agourenta: "Isso me deixa
arrependido." Quando está curado e pronto para partir, Elaine o pede por marido
e ele diz que prometera nunca ser casado. Ela então pede para ser sua amante, ao
que ele fica horrorizado e diz que nunca poderia fazer tal maldade com quem o
tinha tratado tão bem. Ela diz então que nada resta senão morrer de amor. Para
evitar isso, Lancelot promete a ela um dote de mil libras por ano e mais
qualquer cavaleiro que ela escolha para se casar. Ele recusa todas as propostas,
pois o que quer é ser somente sua esposa ou sua amante. "Bela donzela, por essas
duas coisas tens de me perdoar" - respondeu Lancelot. Assim ela gritou e
desmaiou. Durante nove dias, Elaine não comeu, bebeu ou dormiu. No décimo dia
ela morreu. A carta que pedira para escrever para Lancelot estava em suas mãos e
ela foi colocada em uma barca recoberta de tecido negro que desce até
Winchester. Na carta estava escrito: "Nobre cavaleiro, Sir Lancelot, agora é com
morte que eu disputo o teu amor. Os homens me chamavam de Bela Donzela de
Astolat, mas eu te amava, e por esta razão a todas as damas faço meu lamento.
Rezem por minha alma e por fim me enterrem. Este é meu último pedido. E tomo
Deus por testemunha de que como donzela casta morri. Sir Lancelot, reza por
minha alma, pois tu és sem igual."
Mas o romance entre Lancelot e Guinevere não poderia ficar para sempre ignorado.
Modred e seu irmão Agravaine passam a vigiá-lo e por fim encontram Lancelot
desarmado na cama da rainha. Lancelot mata o primeiro do bando que o ataca e
foge. A rainha é condenada à fogueira. É fora dos muros de Carlisle que Lancelot
salva a rainha, já despida, só de camisola, prestes a ser levada para o poste.
Corpo a corpo ele vai abrindo caminho e, sem saber, mata Sir Gaheris e Sir
Gareth, irmãos do vingativo Sir Gawain. Ele leva a rainha para seu castelo de
Joyous Garde, para onde partem Arthur e Gawain em seu encalço. A disputa é
resolvida por um combate entre Gawain e Lancelot, com vitória de Lancelot. Neste
meio tempo, Modred havia raptado a rainha e planejava casar-se com ela e
tornar-se rei. Arthur parte então para lutar contra Modred, morrendo os dois no
confronto. Guinevere, arrependida, entra para um convento e Lancelot também
entra para uma ordem, onde, depois da morte de Guinevere, definha aos poucos até
morrer.
Sir Gawain ( O Cavaleiro Vingativo )
Sir Gawain é muitas vezes descrito como sendo sobrinho de Arthur, filho de
Morgause e irmão de Sir Gaheris e Sir Gareth. Possuia um comportamento muito
irritadiço, como pode-se constatar em Layamon, que, quando Arthur descobre a
traição de Modred e Guinevere, Gawain declara que vai enforcar Modred com suas
próprias mãos e que Guinevere deve ser despedaçada por cavalos selvagens. Outra
passagem, descrita por Malory, onde se pode visualizar o caráter vingativo de
Gawain, é mostrada quando do cerco ao castelo de Lancelot. Lancelot, que durante
a fuga com a rainha mata Gaheris e Gareth, afirma que a acusação de traição
contra ele é falsa e que o julgamento por combate havia mostrado que ele estava
certo. Arthur poderia até perdoá-lo, mas Gawain não deixa que isso ocorra. O
clímax da história é a luta entre Gawain e Lancelot. A luta é interessante, pois
mostra vestígios de uma história muito antiga. Gawain tem uma peculiaridade que
lhe permite ganhar força física no período que vai das nove da manhã até ao
meio-dia. Malory diz que isso era um presente de um homem santo, mas é claro
que, originalmente, Gawain era um adorador do deus-sol. A despeito desta
vantagem, Lancelot simplesmente resiste nas horas de força de Gawain e, quando
elas declinam, lança-o à terra. Por duas vezes essa luta sobrenatural acontece e
a cada vez que Gawain é jogado no chão, chama Lancelot para continuar a luta.
Lancelot responde que quer lutar com ele de novo, mas só quando estiver de pé.
O conto mais famoso de Sir Gawain, no entanto, é intitulado Sir Gawain and the
Green Knight, escrito por volta do ano 1400. No dia do Ano-Novo, quando o rei, a
rainha e a corte estão reunidos para um jantar, um cavaleiro de tamanho incomum
entra no casarão com seu cavalo. Pede que algum cavaleiro ali presente lhe dê um
golpe no pescoço com o machado que ele carrega e que, no próximo Ano-Novo, o
oponente esteja na Capela Verde para receber, por sua vez, o seu golpe. O
cavaleiro e suas roupas, assim como seu cavalo, os trajes e os arreios, tudo era
verde. O ouro e o aço estavam manchados de verde, os arreios reluziam e
cintilavam com pedras verdes e filetes de ouro estavam entrelaçados na crina
verde do cavalo. Arthur imediatamente se oferece para o desafio do cavaleiro,
mas Gawain se interpõe e o toma para si. Com um golpe de machado, decepa a
cabeça do cavaleiro que rola pelo chão, espalhando sangue na carne verde. O
cavaleiro verde recolhe a cabeça. Levanta as pálpebras, olha vivamente e então
encarrega Sir Gawain de encontrá-lo naquele dia, após um ano, na Capela Verde.
Segurando a cabeça pelos cabelos verdes, monta em seu cavalo e deixa o casarão.
Um ano depois, para manter a palavra, Gawain chega ao castelo de Sir Bertilak,
anfitrião cordial e generoso que, por ter cor normal, não é reconhecido como
sendo o cavaleiro verde. Gawain chega ao castelo em completo estado de exaustão.
Recebido com hospitalidade, envolvido em um manto de arminhos enfileirados, é
convidado a sentar ao lado de uma lareira com brasas de carvão. Quando Sir
Bertilak retorna ao seu castelo, depois da caça, recebe o hóspede com muita
cortesia e combina com ele que daria o produto de sua caça a Gawain todo dia e,
em troca, Gawain lhe daria algo que tivesse recebido no castelo.
Sir Tristão de Lionesse ( O Cavaleiro Poeta )
Rica é a bibliografia de Tristão e Isolda. Além de figurarem em escritos celtas
antigos, os chamados mabinogions (porque eram destinados à educação do mabinog,
ou discípulo do bardo) e em narrativas populares anônimas, como Folie Tristan,
Luite Tristan e Tristan Moine, inspiraram uma vasta literatura em francês,
inglês, alemão, italiano, espanhol e português.
O nome do pai de Isolda, Gormond, é escandinavo, e ela mesma aparece às vezes
como "Isolt". Acrescente ao fato dela ser loura (la Blonde). Donde a idéia de
que a história remonte ao tempo dos vikings na Irlanda. No entanto, segundo a
maioria dos autores, a lenda é celta e tem por base a vida de um rei picto que
viveu na Escócia, onde reinou de 780 a 785. Chamava-se Drest filius Talorgen. O
Livro Vermelho de Oxford alude a um certo Drystan ab Tallwch, amante de "Essylt",
mulher de "Marc". "Tristan" proviria então de "Drest", "Drystan", "Drust", "Drustan".
Em português, impunha-se Iseu ao invés de Isolda, forma alemã popularizada por
Wagner, como pode-se ver pelo Cancioneiro da Vaticana, de D. Dinis: o mui
namorado Tristan sey ben que non amou Iseu quant'eu vos amo.... Já Jorge
Ferreira de Vasconcelos usa "Iseo", com "o", em Memórias das proezas da segunda
Távola Redonda, Lisboa, 1567, capítulo XLII: "... de dom Tristam de Leonis e da
sua amada Iseo..."
A popularidade da história de Tristão e Isolda foi conseguida graças a Maria da
França, uma mulher de quem pouco se sabe, que escrevia lais, versos sobre
histórias de cavalaria já conhecidas ou que ainda corriam entre os contadores de
história.
Seus versos intitulam-se Chèvre Feuille (A Madressilva). Esse conto, conhecido
desde o ano 1000, é de origem puramente celta, sem conexão com Arthur. A
história passa-se na Cornualha, onde Marco é rei, mas o magnetismo causado pelo
nome de Arthur fez com que essa história se prendesse também ao corpo da lenda.
Tristão não era famoso por sua habilidade como lutador, mas tinha grande
agilidade física. Era também um harpista. A história de Tristão é marcada por
tragédias, dizia-se que ele nunca foi visto sorrindo, a começar por seu
nascimento, onde seu pai é morto em batalha, perdendo o reino de Lionesse, e sua
mãe morre no parto. Graças a estas tragédias, ele recebe o nome de Tristão.
Criado por um cavaleiro como se fosse seu filho, Tristão desconhece sua origem e
de seu parentesco com Marco, seu tio. Ainda criança, Tristão mata por acidente
um outro menino durante uma rixa. Levado para Bretanha a fim de ter uma educação
de cavaleiro e um dia recuperar seu trono, tristão acaba preso em um navio
muçulmano, onde seria vendido por escravos, se não tivesse conseguido fugir,
indo parar nas costas da Cornualha. Durante muito tempo permanece na corte do
rei Marco, sem revelar a este que era seu sobrinho, o que ocorre quando a
Irlanda cobra um antigo tributo da Cornualha que, se não fosse pago, só poderia
ser substituído pela luta entre dois campeões da família real da Irlanda e
Cornualha. Tristão se oferece e parte para lutar contra Morolt, matando-o quando
este prende a espada no casco do barco. Ferido pela espada envenenada de Morolt,
Tristão é colocado em um barco sem remos com sua harpa para ser curado pela
rainha da Irlanda. Durante sua permanência disfarçado, com o nome de Tãotris,
acaba se apaixonando pela princesa Isolda, que cuidava dele. Mas Isolda acaba
prometida a Marco e Tristão retorna à Irlanda para buscá-la. Na viagem de volta,
no entanto, eles bebem um filtro de amor que a criada de Isolda, Brangwen, havia
preparado para a noite de núpcias da princesa, com isso uma paixão cega toma
conta deles, de tal forma que, quando chegam à Cornualha, já são amantes. Começa
então o mórbido mas interessante relato do casamento de Isolda com o já
desconfiado Marco e a continuação de sua aventura com Tristão. Segue-se então a
descoberta e a fuga de Tristão para a Britânia, onde se casa com uma princesa só
porque seu nome também era Isolda (Isolda das Mãos Brancas), não podendo
consumar o casamento. Quando está prestes a morrer de uma infecção causada por
uma seta envenenada, Tristão manda uma mensagem, implorando que Isolda da
Irlanda viesse até ele, e ordena que, no retorno do barco, deveriam estender
velas brancas se a trouxessem e negras se ela não viesse. Quando as velas
brancas são vistas se aproximando, sua esposa Isolda diz que elas são negras.
Angustiado, Tristão morre, e Isolda chega, para morrer ao lado dele.
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